Oniscidea
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| Isópodos Terrestres | ||||||||||||||
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Os isópodes terrestres, popularmente conhecidos como bichos-de-conta,[2] porquinhos-de-santo-antão,[2]tatuzinhos,[3][4] tatus-bolas[4]ou tatuzinhos-de-jardim,[5] são os membros da subordem Oniscidea[5] da ordem Isopoda. Atualmente conhece-se, aproximadamente, 120 espécies no Brasil e 3.600 no mundo, encontradas em habitats variados, desde a zona litorânea até desertos,[5] o que faz destes o grupo com maior riqueza de espécies dentre os crustáceos.[1] Em geral não conseguem espalhar-se muito, mas podem alcançar alta densidade populacional[6] e o ser humano os tem dispersado.[4] São crustáceos importantes na reciclagem de nutrientes, acumulação de metais pesados e alimentação de animais, constituindo grande parte da fauna de solo e influenciando sua dinâmica.[6][5][7] Independem do meio aquático[1] e vivem, em geral, em ambientes úmidos e abrigados da luz.[4]
A fauna de isópodos terrestres é ainda pouco conhecida na América do Sul.[5] Há um número considerável de trabalho acerca destes organismos no Rio Grande do Sul.[5]
Existem organismos intracelulares que causam feminização e surgimento de indivíduos intersexuados nos isópodes terrestres, comoWolbachia, que altera as estratégias de reprodução sexuada e a proporção sexual com o intuito de garantir a transmissão maternal, único meio de infecção da prole.[5]
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Anatomia
Passaram a viver de forma independente de ambientes aquáticos graças principalmente à presença de bolsa incubadora como um marsúpio, mas também à forma achatada do corpo, e a adaptações comportamentais e fisiológicas, entre elas o desenvolvimento de cutícula espessa e de estruturas para trocas gasosas.[5][1]
As estruturas para trocas gasosas dos isópodes terrestres são os pulmões pleopodais,[1] pequenas cavidades ramificadas localizadas nos exópodos laminares.[4] As espécies que não possuem estas estruturas realizam as trocas gasosas através dos endópodos dos pleópodos.[4]O oxigênio é transportado pela corrente sanguínea.[4]
Produzem feromônios de agregação nas células intestinais, expulsando-os juntamente com as fezes, de forma que podem ser percebidos por estruturais sensoriais das antenas.[4][1] Estes feromônios, produzidos com maior intensidade em condições mais secas, levam os isópodes a formar um grupo e permanecerem nele, reduzindo a perda de água para o ambiente.[4][1] Em ambientes úmidos e quentes, os isópodes terrestres utilizam-se da evaporação para manter a temperatura corporal, refrigerando-se.[4] A excreção ocorre em forma de amônia em estado gasoso, e é realizada pela superfície do corpo.[4][1]
Sua principal estrutura sensorial são quimioceptores localizados na ponta das antenas, e às vezes, na ponta dos urópodes, responsável pelo reconhecimento químico por contato.[4] Na antena, há estruturas provavelmente associadas ao olfato.[4]
Os tatuzinhos obtém a maior parte da água necessária por meio do próprio consumo de alimentos, mas pode eventualmente ser bebida com o auxílio das peças bucais[4] ou através de coprofagia.[1] Podem ainda obter umidade do meio pelos sulcos cuticulares dos urópodes, que retiram a água por capilaridade ao tocarem o solo, e transmitem-na para todas as partes do corpo por um sistema condutor de água.[4] O processo é reversível, permitindo a eliminação do excesso de água no organismo, desde que o solo esteja seco o bastante para absorvê-la.[4] Os isópodes terrestres morrem em imersão ou em condições de extrema umidade das quais não possam escapar.[4]
Após 24 horas do nascimento ocorre a primeira ecdise nos tatuzinhos, que passam então a ocorrer a cada 3 ou 4 semanas até aproximadamente a idade de 6 meses, quando iniciam-se as ecdises de adultos, de 3 a 6 vezes por ano, sendo que podem viver de 3 a 4 anos.[4] Estas ecdises ocorrem na metade posterior do corpo e aproximadamente 24 horas depois na metade anterior, conferindo-lhes um aspecto bicolor durante o processo, já que a parte em muda clareia-se.[4] Normalmente a exúvia é ingerida para reaproveitamento de cálcio.[4]
Seus mecanismos de defesa consistem em: enrolar-se como uma bola, o que alguns indivíduos conseguem e que também reduz a perda de água por evaporação; fugir; fingir-se de morto; prender-se intensamente ao solo; e liberar secreções repelentes, quando estimulados pelas quelíceras das aranhas, um de seus principais predadores.[4]
A maior parte das espécies apresenta tamanhos diferentes para machos e fêmeas, com as fêmeas sendo normalmente maiores, já que há relação desta característica com sua fecundidade.[8] Para obterem os tamanhos maiores, crescem mais lentamente e devido a isto vivem mais que os machos, que crescem rapidamente e começam a se reproduzir antes das fêmeas.[8]
Alimentação
Em geral, alimentam-se no período noturno, preferencialmente de plantas novas.[4] Somente quatro espécies podem danificar a agricultura: Armadillidium vulgare, Porcellio laevis, Porcellionides pruinosus e Benthana picta.[4] Podem causar perdas de até 40% em pimentões, de até 70% em tomates e até 80% em feijoeiros.[4]Também podem atacar ervilha e outras hortaliças.[4]
Reprodução
A maior parte das espécies é unissexuada e ovípara, incubando os ovos na cavidade formada pelos oostegitos.[4] Quando os filhotes rompem estes ovos, estão no estado de pós-larva, com ausência do sétimo pereiópode, o último par de pernas incompletamente desenvolvido, coloração esbranquiçada, tegumento frágil e inexistência de características sexuais secundárias.[4]
A reprodução é sexuada, onde o macho pressiona seu ladro ventral contra um lado da fêmea e injeta os espermatozoides em um dos gonóporos da fêmea utilizando um pleópodevibratório, e repetindo o processo do outro lado.[4] As fêmeas e seu estado sexual são reconhecidos pelo macho por meio da antena, provavelmente por ação de feromônios.[4] Durante a estação reprodutiva as fêmeas passam pela muda ovígera, onde ocorre a formação de um marsúpio totalmente isolado do ambiente.[4][1] Esta bolsa incubadora tem como função o desenvolvimento inicial dos filhotes, de desenvolvimento direto, sem dependência de fontes externas de água, com fluido aparentemente sendo secretado da parede do corpo materno, formando um micro-aquário, e trocas gasosas ocorrendo provavelmente entre a hemolinfa e o fluido marsupial.[5][1][4] Ao nascer, os filhotes apresentam um par de pernas a menos do que os adultos, que surge posteriormente.[5]
A taxa de crescimento é elevada durante os estágios iniciais dos isópodes terrestres, como forma de reduzir a taxa de mortalidade, que é muito alta nos primeiros dias de vida, mas que tende a reduzir-se conforme o tamanho corpóreo aumenta.[8] O período de vida é de pouco mais de dois anos, apesar de que apenas 0,1% dos machos são mais velhos que um ano e apenas 1% das fêmeas atinge o segundo.[8]
[editar]Armadillidium vulgare
É uma espécie de distribuição global[9] originária do mediterrâneo, provavelmente da parte oriental,[4] como os demais do grupo vulgare,[3]exótica no Brasil, onde é encontrada em zonas de influência antrópica.[7] O macho tem 13,6 mm de comprimento por 6,4 mm de largura, e a fêmea, 15,1 mm por 7,3 mm.[4]
Conhece-se muitos aspectos de sua biologia devido à grande quantidade de estudos a seu respeito.[7] Podem atacar orquidáceas, roendo raízes e brotos, bem como ervilhas e outras hortaliças.[3] Causam perdas em pimentões recém transplantados de até 40%, em tomate 70% e em feijoeiro até 80%.[3] Realizam desovas subsequentes, com maior produção de ovos do que as anteriores.[10]
São hospedeiros intermediários de Dispharynx nasuta e de acantocéfalos.[11] Este últimos, ao infectarem o A. vulgare, lhes dão uma tendência a se exporem mais à luz solar, e, conjuntamente com o desenvolvimento do parasitado, confere-lhe coloração diferente do normal.[11] Isto garante que o ciclo de vida do parasito será concluído, com a predação do isópode pelo hospedeiro definitivo.[11] Também são parasitados por nematóides.[4]
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